A tendinite, hoje mais corretamente descrita como tendinopatia, está longe de ser um problema restrito ao esporte de alto rendimento. Trata-se de uma condição frequente na prática clínica, com impacto direto na funcionalidade, no desempenho profissional e na qualidade de vida de uma parcela significativa da população.
Dados epidemiológicos mostram que as tendinopatias dos membros inferiores representam uma fatia relevante das consultas na atenção primária. Estudos observacionais apontam uma prevalência aproximada de 16,6 casos a cada 1.000 pacientes, com uma incidência anual de 7,9 novos casos por 1.000 indivíduos, especialmente em adultos de meia-idade e idosos. Esses números ajudam a explicar por que a dor tendínea se tornou uma queixa cada vez mais comum nos consultórios.

No contexto esportivo, a magnitude do problema é ainda mais evidente. Mais de 30% dos atletas de alto rendimento apresentam diagnóstico confirmado de tendinopatia, índice que pode chegar a 36,5% em modalidades com alto volume de treino. Cerca de 60% desses atletas convivem com dor tendínea crônica, e quase metade precisa interromper ou reduzir a rotina esportiva em algum momento devido aos sintomas.
Um dado pouco conhecido ajuda a entender por que a recuperação tendínea costuma ser lenta: os tendões apresentam baixo metabolismo e vascularização limitada, especialmente nas regiões mais acometidas por lesão, como o tendão de Aquiles e o manguito rotador. Em termos práticos, isso significa que o tecido tendíneo responde mais lentamente aos processos de reparo, o que torna abordagens apressadas ou baseadas apenas no repouso insuficientes — e, muitas vezes, contraproducentes.
Fora do esporte, fatores ocupacionais e demográficos também exercem papel importante. Levantamentos com trabalhadores brasileiros indicam uma prevalência autodeclarada de tendinite ou tenossinovite em torno de 3,1%, com variações conforme o tipo de atividade profissional, idade e sexo. Movimentos repetitivos, sobrecarga mecânica e ausência de pausas adequadas continuam sendo elementos centrais nesse cenário.
Para o médico e especialista em dor Dr. Carlos Gropen, os dados deixam claro que a tendinite não deve ser tratada como um evento isolado ou apenas como um episódio inflamatório agudo.
“Cuidar da tendinite não é simplesmente silenciar a dor. A alta prevalência e o risco de cronificação mostram que estamos lidando com um problema estrutural, que exige avaliação cuidadosa e um plano terapêutico consistente”, afirma.
Segundo ele, abordagens focadas apenas no alívio imediato tendem a falhar no médio e longo prazo.
“Uma estratégia realmente eficaz precisa ser interdisciplinar, considerando biomecânica, carga funcional, contexto ocupacional e estilo de vida. Médicos, fisioterapeutas, especialistas em dor e educadores físicos atuando de forma integrada aumentam significativamente as chances de recuperação funcional e reduzem a recorrência.”
Impacto funcional e prevenção
As consequências da tendinopatia vão além do desconforto local. Limitações nas atividades diárias, queda de rendimento esportivo e afastamentos temporários do trabalho são desfechos frequentes quando o problema não é conduzido adequadamente.
Entre as medidas com maior impacto na prevenção e no tratamento efetivo destacam-se:
• diagnóstico precoce e criterioso
• programas de fisioterapia com foco em fortalecimento progressivo e correção biomecânica
• ajustes ergonômicos e ocupacionais
• educação do paciente quanto à carga de treino, recuperação e sinais de alerta
Diante do envelhecimento populacional e da crescente adesão a estilos de vida ativos, a tendência é que as tendinopatias se tornem ainda mais prevalentes. Isso torna fundamental investir em estratégias educativas, protocolos bem estruturados e políticas de saúde que priorizem não apenas o tratamento da dor, mas a preservação da função e da autonomia ao longo do tempo.
Serviço:
Clínica IBDOR
709 Sul – Centro Médico Julio Adnet
Fone: (61) 98408-4014





