Uma doença silenciosa, mas bastante comum entre crianças pequenas, tem acendido o alerta de pais, escolas e profissionais de saúde no Distrito Federal. É a chamada doença mão-pé-boca, provocada pelo vírus Coxsackie — da família dos enterovírus — e que se espalha com rapidez em ambientes coletivos, como creches, parquinhos e salas de aula.
A publicitária Karina de Sousa viu o pequeno Théo, de apenas 3 anos, apresentar febre e bolhas na boca e nas mãos logo após uma viagem. “Foi a segunda vez que ele teve. Dessa vez, conhecemos um tratamento com laser, que ajudou bastante na recuperação”, contou. O caso do Théo não é isolado.
De acordo com especialistas, os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de garganta, aftas e erupções nas mãos e nos pés — que podem se espalhar também para as nádegas e a região genital. Em alguns casos, há até o descolamento das unhas semanas depois, o que, apesar de assustar, não exige tratamento específico.
“A transmissão acontece pelo contato direto com saliva, secreções ou até mesmo objetos contaminados. Por isso, a higiene precisa ser redobrada”, explica a odontopediatra Ilana Marques. Ela reforça que lavar bem as mãos, limpar brinquedos e manter ambientes arejados são cuidados essenciais.
A pediatra Suamy Goulart faz um alerta importante: ao notar os primeiros sintomas, a criança deve ser mantida em casa. “Não é uma doença grave, mas exige repouso e isolamento para não se espalhar. A escola não é o lugar para ela nesse momento”, disse.
O tratamento é sintomático: repouso, hidratação e alimentos de consistência pastosa ajudam na recuperação. O desconforto causado pelas lesões pode dificultar a alimentação, por isso, sopas, purês e líquidos frios são boas opções. Em casos de desidratação, pode ser necessário o uso de soro por via intravenosa.
A rede pública de saúde do DF está preparada para atender os casos. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada para avaliação, orientação e acompanhamento.
A doença mão-pé-boca tende a se manifestar durante todo o ano, mas é mais comum no verão e no início do outono. O recado dos médicos é claro: ao menor sinal de febre com lesões bucais ou nas extremidades, o ideal é não esperar. Procure atendimento e mantenha a criança em repouso.