Brasília deu um passo importante na política de acolhimento social ao inaugurar o primeiro hotel voltado exclusivamente para pessoas em situação de rua. Localizado na região do SAAN, o espaço conta com 200 vagas para pernoite, oferecendo estrutura digna para quem não tem onde dormir — com banho quente, jantar e café da manhã no dia seguinte.
A proposta do hotel surgiu ainda durante a pandemia, quando houve um crescimento expressivo no número de moradores de rua na capital. Segundo o governador Ibaneis Rocha, o ambiente foi totalmente reformado para garantir conforto e respeito aos acolhidos. “É um espaço decente, que nasceu da necessidade de dar dignidade às pessoas. Não é só dar abrigo, é acolher com respeito e oferecer oportunidades”, afirmou.
Entre os diferenciais, o local conta com estrutura preparada para públicos diversos, como pessoas com doenças infecciosas, que terão quartos individualizados, e pessoas trans, que muitas vezes enfrentam dificuldades em outros abrigos convencionais. Outra novidade é o acolhimento de animais de estimação. Os pets não ficam nos quartos, mas têm um setor exclusivo, com ração, água e até banho. “Essa é uma demanda antiga. Sabemos que muitas pessoas se recusam a ir para abrigos porque não querem se separar dos seus animais”, explicou Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social do DF.
O acesso ao hotel será feito de forma organizada, com entrada permitida até às 19h. Um ônibus gratuito saindo da rodoviária do Plano Piloto vai levar os beneficiados até o local diariamente. Além da hospedagem, quem quiser poderá se cadastrar em programas de qualificação profissional, promovendo a reinserção no mercado de trabalho.
O governo do Distrito Federal também pretende expandir o projeto. A próxima unidade deve ser implantada na região de Ceilândia. “Estamos trabalhando para atender a região oeste e resolver o problema ali também. Já tentamos montar estruturas semelhantes em outros pontos de Brasília, mas há resistência da população. Infelizmente, muitos não aceitam que um serviço como esse funcione perto de onde moram”, disse o governador.
Outro plano é levar o modelo para o Setor Comercial Sul, no centro de Brasília. Mas, segundo a secretária Ana Paula Marra, esse passo exige um trabalho de conscientização. “É preciso preparar as pessoas. Infelizmente, ainda há muita rejeição a esse tipo de acolhimento. Mas ele é essencial se queremos de fato transformar a realidade dessas pessoas”, completou.